sábado, 5 de abril de 2014

Vínculos com o Cristianismo



                                                                VÍNCULOS COM O
                                                                   CRISTIANISMO
                           (Publicado na Revista Internacional de Espiritismo em maio de 2011)

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.[1]


                   Esta frase do Espírito de Verdade é muito sugestiva e diz que as coisas devem ser inseridas, interpretadas e restabelecidas, num novo e verdadeiro sentido. E quem, senão os espíritas seriam os melhores qualificados para tal missão? Afinal, das muitas visões de mundo que um indivíduo pode ter, a espírita é aquela que mais se aproxima da Verdade.
                   Esta nova visão espírita, mais abrangente, mais profunda, é claramente demonstrada, por exemplo, no conceito que Allan Kardec fazia das palavras, cristão e Cristianismo. Observemos algumas afirmações de Kardec: “Suas conseqüências morais são todas no sentido do Cristianismo” [2], e “A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos” [3] e finalmente neste trecho: “... surge uma nova geração, cujas crenças serão fundadas no Espiritismo cristão”.[4]
                  Será que Kardec utilizou, nas frases mencionadas, o termo “cristão” e “Cristianismo” no sentido tradicional do termo, ou seja, vinculados a teologia cristã encontradas comumente nas religiões evangélicas? É claro que não, pois na Doutrina Espírita não há a crença, por exemplo, em Adão e Eva, Dilúvio, Batismo, Santíssima Trindade, Juízo Final, Inferno e Penas Eternas. O que nos leva para a conclusão da construção de um conceito próprio, derivado da concepção espírita da realidade. Não se trata de inventar um conceito do nada, mas pinçar as partes, que para os espíritas, são fundamentais.
                    Esta construção, de conceitos, idéias ou valores, também é encontrada em outros autores espíritas, como Leon Denis. No seu livro “Cristianismo e Espiritismo”, por exemplo, encontramos a palavra, “cristãos”, desvinculada claramente de questões teológicas. Vejamos: “todos os que amam a Humanidade podem dizer-se cristãos, mesmo quando se achem divorciados da tradição de todas as igrejas”.[5]
                    Para Allan Kardec, Leon Denis e para todo verdadeiro espírita, ser cristão é quem pratica a caridade, ou quem ama o próximo, reduzindo o Cristianismo a sua parte moral. Sobre isto é bom lembrar o filósofo José Herculano Pires:

Ou voltamos à simplicidade lógica e à pureza espiritual do Cristianismo do Cristo ou teremos de voltar à selva para recomeçar a experiência falida de dois mil anos de sofismas, vaidade e ganância desenfreada[6]
                    Conclui-se que os espíritas e a Doutrina Espírita são cristãos somente quando se abandona antigos conceitos e se assume a responsabilidade em dar ares novos a velhas estruturas de pensamento, como fica evidente outra vez nesta frase de José Herculano Pires:
Em conseqüência, leis e perspectivas novas aparecem, exigindo verdadeira revisão dos conhecimentos do homem e do seu modo de encarar a vida e o mundo. Mais uma vez nos deparamos com a luta clássica entre o velho e o novo tão bem definida no Evangelho do Cristo e nas obras de Kardec.[7]
                  A constatação que o próprio Allan Kardec tenha denominado o Espiritismo e os espíritas de cristãos, é importante para fazer frente a afirmações como esta, retirada de uma revista de circulação nacional e até apoiada por alguns espíritas.
O Espiritismo não é uma religião “cristã”, diz Antonio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores estudiosos da religiosidade brasileira. “Os espíritas utilizam o Cristianismo para se legitimarem.” Pierucci vai mais longe. Afirma que esse vínculo com a Igreja Católica pregado pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação: “O Espiritismo faz força para não parecer uma religião exótica.[8]
                   Observamos que este professor, apesar de ser um grande estudioso da religiosidade brasileira, parece não ter a noção que, através do estudo do Espiritismo nós resgatamos o verdadeiro entendimento do que seja cristão: aquele que ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A falta de um estudo metódico, profundo e prolongado da Doutrina Espírita põe em xeque muitas vezes, a autoridade das teses e afirmações de origem acadêmica.
                   Há de perguntar se o próprio Kardec (que não era brasileiro) estava só querendo legitimar a Doutrina quando escreveu tantas vezes a palavra: “cristão e Cristianismo”. Fica claro que o vínculo com o Cristianismo é inerente a Doutrina Espírita e não foi uma invenção dos espíritas para lutar contra a discriminação.
                  O vínculo com Jesus, na Doutrina Espírita, não depende deste ou daquele movimento espírita, para termos uma ideia, encontramos 587 palavras “Jesus” e 217 palavras “Cristo” nas Obras Básicas totalizando 804 referências a este espírito, assim distribuídas:[9]

OBRAS BÁSICAS
JESUS
CRISTO
TOTAL
Livro dos Espíritos
44
23
67
Livro dos Médiuns
20
13
33
O Céu e o Inferno
34
25
59
Evangelho S. Esp.
258
103
361
A Gênese
231
53
284
TOTAL
587
217
804

                    Notamos, observando a tabela, que a Doutrina Espírita está irremediavelmente ligada a Jesus e que Allan Kardec e os próprios Espíritos Superiores não o dispensaram como, equivocadamente, fazem alguns espíritas hoje em dia, para tentar resolver problemas no movimento espírita, a saber: a redução do Espiritismo a um evangelismo místico, com pouco espaço para as obras de Kardec e muitas vezes com assuntos estranhos a Codificação. Estes espíritas acertam na localização do problema, mas erram na administração do remédio. Ora, se há o perigo, dizem, do Espiritismo, com Jesus, se tornar apenas mais uma religião, por outro lado, sem Jesus e o aspecto religioso da Doutrina, há um risco ainda maior, o da Doutrina Espírita se tornar apenas mais uma Filosofia, entre muitas que empoeiram as bibliotecas, restritas a um mundo acadêmico.                                
                    Mesmo para aqueles que se apegam ao conceito de Cristianismo caracterizado por dogmas e formas exteriores de culto, um fato inegável é ser a figura de Jesus, obrigatória, tanto para o Cristianismo como para o Espiritismo (cada um por suas próprias razões) revelando por isto algo em comum, um vínculo. Digo obrigatória, pois, sendo Jesus, “o mais perfeito modelo”, (L.E pergunta 625) isto já lhe dá um caráter não opcional, não é por acaso, então, encontrarmos tantas referências a Jesus Cristo nas Obras Básicas.
                   Nós somos livres para decidir. Assim, podemos optar pelo mesmo pensamento de Kardec, em conformidade com o Espírito de Verdade, e afirmar que a Doutrina Espírita é cristã, subentendido a roupagem que o Espiritismo dá a esta palavra quando resgata seu sentido original e mais verdadeiro, ou afirmar que a Doutrina Espírita não é cristã e nem tendo com o Cristianismo nenhum vínculo. Se optarmos pela segunda alternativa, estaremos negando a nossa responsabilidade como agentes de transformação, se aliando a conceitos que nos vem de fora, esclerosados pelo tempo, acorrentados pelo peso das tradições humanas. Que pena.

FAUSTO FABIANO DA SILVA (pesquisador espírita em Londrina – Paraná)



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 67. ed. São Paulo: Ed.  Lake, 2007.
KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. 85. ed. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1982.
KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Araras: Ed. Instituto de Difusão Espírita.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 25. ed. São Paulo: Ed. Lake, 2007.
KARDEC, Allan. O Espiritismo em sua versão mais simples. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/19473507/o-Espiritismo-Em-Sua-Expressao-Mais-Simples> Acesso em 14 de março de 2011.
DENIS, Leon. Cristianismo e Espiritismo. Disponível em: <http://www.luzespirita.com/livros/leondenis/cristianismoeespiritismo.pdf.> Acesso em :14 de março de 2011.
PIRES, J. Herculano. Revisão do Cristianismo. Disponível em: <http://www.espirito.org.br/portal/download/pdf/revisao-do-cristianismo.pdf > Acesso em 14 de março de 2011
PIRES, J. Herculano. Espiritismo Dialético. Disponível em: <http://www.bvespirita.com/Espiritismo%20Dial%C3%A9tico%20%28Jos%C3%A9%20Herculano%20Pires%29.pdf> Acesso em 14 de março de 2011
SUPER INTERESSANTE. Espiritismo. São Paulo: Editora Abril, númer


[1]  Allan Kardec. Prefácio do Evangelho Segundo o Espiritismo
[2]  Allan Kardec. O Que é o Espiritismo, capítulo primeiro, pequena conferência espírita
[3]  Allan Kardec.  Livro dos Médiuns, primeira Parte, Cap. III – Do Método – Item 28, 3.
[4]  Allan Kardec.  O Espiritismo em Sua Versão Mais Simples, resumo do ensinamento dos espíritos
[5]  Leon  Denis. Cristianismo e Espiritismo, conclusão.
[6] José Herculano Pires. Revisão do Cristianismo, capítulo: a herança mágica.
[7] José Herculano Pires. Espiritismo Dialético, o velho e o novo.
[8] Revista Super Interessante da Editora Abril, edição 180 de setembro de 2002.
[9] Contagem feita por mim tendo por base as Obras Básicas disponíveis no site da FEB. As Obras Básicas estão no programa Adobe Reader, o que facilitou em muito a localização das palavras. Os índices e as notas de rodapé foram desconsiderados na contagem. Quando do aparecimento das palavras “Jesus Cristo” juntas, contou-se apenas uma delas. Se houve algum erro de contagem, foi mínimo, além do mais, se formos incluir as palavras, “cristão”, “cristianismo”, “mestre”, “messias” e referências indiretas a Jesus como “amor ao próximo” e “evangelho” seria bem mais que 804 menções a Jesus Cristo.

As Cidades Espirituais





 AS CIDADES ESPIRITUAIS

(Publicado da Revista Internacional de Espiritismo de agosto de 2011)

                  
                  Não existem nas chamadas Obras Básicas da Doutrina Espírita, relatos detalhados da vida espiritual como, por exemplo, os encontrados na série André Luiz. Entretanto, estudando o Espiritismo, verificamos que tais relatos são compatíveis com a lógica Doutrinária, é o que veremos, analisando o Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns.
                   A questão 278 (L.E.) nos relata sobre a existência de sociedades e grupos de espíritos reunidos por afinidade no mundo dos espíritos: “Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam...”. Ora, se os espíritos se reúnem, fazem isto em algum lugar, é lógico, portanto, pensarmos, que a realidade que cerca os espíritos seja constituída de alguma forma de matéria (ignorada por nós), já que o nada não existe, conforme a questão 36 (L.E.): “Não, não há o vácuo”.
                  A questão 279 (L.E.) é ainda mais reveladora, por isto, é bom que o leitor a leia na íntegra: Todos os espíritos têm reciprocamente acesso aos diferentes grupos ou sociedades que eles formam? R: Os bons vão a toda parte e assim deve ser, para que possam influir sobre os maus. As regiões, porém, que os bons habitam estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que não as perturbem com suas paixões inferiores. (grifos meus)
                  A palavra “habitam” é de extrema significação, pois lembra morar, e morar lembra “casa”, para quem acha que uma casa seria um absurdo, é só ler a questão 254 (L.E.) que esclarece que os espíritos repousam: “O Espírito, entretanto, repousa no sentido de não estar em constante atividade”, é claro que não é o mesmo tipo de repouso do corpo físico, mas é lógico acreditar que o espírito também possa fazer isto em lugar próprio, ainda mais se admitirmos que ele deve ter a necessidade de privacidade, de não estar a todo tempo no meio de outros espíritos, necessidade natural de momentos em que o ser, recolhe-se em pensamentos e orações. Se o leitor quiser denominar este local de “Casa” não fique constrangido.
                  O termo, “Habitam” da questão 279 (L.E.), também nos remete a idéia de uma sociedade espiritual não momentânea ou ocasional, pelo contrário, leva-nos a crer numa certa estrutura organizacional, mais ou menos duradoura, afinal, os bons espíritos não habitariam no meio do caos e por pouco tempo, caso contrário, a palavra não seria “habitam” não é mesmo? Se o leitor quiser denominar esta “estrutura organizacional” onde os bons espíritos habitam, de CIDADE, fique a vontade.
                  Ainda na mesma questão 279 (L.E.) a palavra “interditada” nos dá a idéia de limites, não absolutos é claro. Se estas estruturas organizacionais são interditadas aos inferiores, quer dizer que apenas os bons vão e estão em toda parte e que a liberdade de locomoção está diretamente relacionada à evolução espiritual de cada um.
                  E como estas regiões (notem que os Espíritos não estão falando de planetas) seriam interditadas? Embora a questão 279 não responda esta particularidade, podemos muito bem imaginar uma barreira energética, ou coisa semelhante, envolvendo aquela estrutura organizacional que impediria os espíritos inferiores de entrar. Se o leitor quiser denominar esta barreira energética simplesmente de MURO também fique a vontade.
                  Analisando os estudos feitos até aqui, todos os espíritas, acredito, poderiam concordar sobre a existência daquela estrutura organizacional, onde os bons espíritos habitariam, mas qual a evidência que esta estrutura seja parecida com uma cidade, com prédios, casas, ruas, árvores e hospitais? É o que veremos agora.
                  Estudando a questão 278 (L.E.) verificamos que o mundo dos encarnados é um reflexo pálido do mundo espiritual: “Constituem um mundo do qual o vosso é pálido reflexo”, ou na tradução de J. Herculano Pires um “reflexo obscuro”. Ora, se o mundo físico é um reflexo, mesmo que pálido, é porque existem elementos comuns, elementos parecidos. Assim, o mundo dos espíritos não seria completamente diferente do mundo dos encarnados, pelos menos nas esferas, ou dimensões que estariam próximas da Terra. Lembrando também que é perfeitamente possível os espíritos criarem, se quiserem, elementos parecidos com os da Terra, conforme ilustra o trecho do Livro dos Médiuns no capítulo “Laboratório do Mundo Invisível”: “O Espírito dispõe, sobre os elementos materiais dispersos por todo o espaço da vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode concentrar esses elementos pela sua vontade e dar-lhe a forma que convenha às suas intenções.”  Não podemos esquecer, igualmente, que a matéria pode apresentar-se em estados que ignoramos conforme, conforme a questão 22 ( L.E.) : “Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos”.  
                    Se antes podíamos admitir como uma hipótese a existência de cidades no plano espiritual, agora, pela questão do reflexo, e pelo poder do espírito (conforme seu grau de elevação) em manipular os elementos materiais dispersos, isto é ainda muito mais provável, lógico e compatível com a Doutrina Espírita. Há, portanto, apoio Doutrinário nas descrições encontradas em obras mediúnicas como as de Chico Xavier.
                  Além daquilo que analisamos até aqui, mais um exemplo de raciocínio vem somar forças em defesa da existência de cidades no plano espiritual. É que Deus, na sua soberana bondade, não permitiria que centenas de espíritos desencarnados, ainda apegados aos mais variados tipos de vícios, não encontrassem apoio no mundo espiritual, só porque nas Obras Básicas espíritas não há a menção explícita de um hospital. Ora, se não quisermos falar a palavra hospital, para não ferir os ouvidos dos que não conseguem perceber os desdobramentos lógicos que o estudo do Espiritismo nos dá, então poderemos dizer outra coisa mais complicada como: centro de apoio aos espíritos arrependidos, ou sociedade de ajuda aos espíritos necessitados, mas sinceramente, fica mais prático falar hospital.
                  Assim, consequentemente, se existem hospitais, podem existir universidades, já que os espíritos progridem também na erraticidade (questão 230 L.E.), e poderiam fazer seus estudos dentro daquela região, onde os bons habitam, num lugar específico, e porque não?  E qual nome que se dá a região onde existem casas, hospitais e escolas? CIDADE.
                  Poderíamos dizer que a crença em cidades no mundo espiritual não satisfaria o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, talvez isto fosse verdade se tal crença fosse mesmo uma informação nova. Como se tornou claro até aqui, a ideia de cidades espirituais é muito mais um desdobramento lógico dos princípios espíritas do que uma novidade. Assim, os relatos existentes em obras mediúnicas consagradas sobre o mundo dos espíritos, seriam desdobramentos, ou conseqüências naturais dos estudos realizados e por isto não estariam fora do CUEE, como alguns pensam.
                  Poderíamos dizer ainda que, se existissem cidades espirituais, então porque os Espíritos na Codificação não as mencionaram como nas obras mediúnicas posteriores? Há uma resposta simples para isto, encontrada no Livro dos Espíritos na questão 123 onde as palavras utilizadas pelos Espíritos cabem muito bem aqui: “Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetra-lhe os desígnios?”.
                 Já tivemos oportunidade de constatar que alguns espíritas contrários a ideia das cidades espirituais costumam mencionar a questão do Livro dos Espíritos: “Um lugar circunscrito no Universo está destinado às penas e aos gozos dos Espíritos, de acordo com seus méritos?” (questão 1011 em algumas traduções), mas o que eles se “esquecem” é de explicar que esta pergunta está no subtítulo, “Paraíso, Inferno e Purgatório”, portanto, é em oposição  a noção de inferno e céu católicos que devemos entender a resposta dos Espíritos.
                  As cidades espirituais como Nosso Lar de André Luiz, não se enquadram como representantes destes lugares circunscritos e fechados na lógica Inferno/Céu da tradição teológica cristã, já que os espíritos não ficam nas cidades espirituais para sempre e nem são lugares absolutamente fechados ou absolutamente circunscritos, pois muitos espíritos podem de lá sair e depois retornar, como foi o caso de André Luiz. Além do mais, a pergunta em questão (l011), foi feita no singular, “Um lugar”, este detalhe é importantíssimo e não pode ser negligenciado, pois a cidade Nosso Lar não é este lugar único da pergunta, pois a literatura mediúnica nos relata sobre a existência de várias cidades e não uma só, e para que não surjam dúvidas quanto a outras traduções a questão do Livro dos Espíritos em Francês: “Un lieu circonscrit dans l’univers est-il affecté aux peines et aux jouissances des Esprits, selon leurs mérits?”. (Grifos meus).
                  Devemos estudar o Espiritismo com profundidade para não cairmos na tentação das conclusões fáceis, superficiais e muitas vezes tendenciosas, encontradas não raro em teses acadêmicas, fóruns ou “blogs”, onde pessoas acreditando ser intelectuais e conhecedoras da Doutrina acabam construindo um espiritismo particular, distanciado do verdadeiro Espiritismo codificado por Allan Kardec.  


FAUSTO FABIANO DA SILVA


            
REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 67. ed. São Paulo: Ed. Lake, 2007.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 25. ed. São Paulo: Ed. Lake, 2007.
KARDEC, Allan. Le Livre des Esprits. Disponível em: http://www.spirite.be/livres/fr/allankardec-esprits.pdf